domingo, 4 de outubro de 2009

A reforma da Saúde

A reforma dos Cuidados Saúde Primários

A reforma dos Cuidados Saúde Primários iniciada pelo governo anterior trouxe mais desigualdade no acesso dos cidadãos ao SNS. Foi uma reforma que se iniciou baseada em alguns pressupostos errados, nomeadamente no que se refere aos recursos humanos existentes. Foi uma reforma iniciada não em função das necessidades dos cidadãos mas em função dos desejos de alguns grupos profissionais, para isso basta não ser ingénuo e analisar com imparcialidade os resultados obtidos até agora com a reforma. Os benefícios obtidos pelos utentes que já tinham médico assistente, em geral são nulos e aqueles que não tinha médico de família e passaram a ter é normal que respondam que lhes trouxe benefício, o contrário é que seria anormal. Contudo a quantidade de utentes que continuam a não ter médico de família é muito elevado e estão a ser tratados como cidadãos de 3ª, pois agora há os que têm médico da USF, há os que têm médico da UCSP ex.Centro de Saúde e há os que continuam a não ter médico de família e que são "vistos" por qualquer médico da UCSP, que agora são menos, pois os médicos das USF só observam os utentes inscritos nas suas listas, e o mais curioso é que por vezes tudo se passa no mesmo espaço físico. Uma questão se poderá levantar e se todos os médicos que trabalham nos Cuidados de Saúde Primários fossem para USFs quem consultava os utentes sem médicos? A resposta é: médicos contratados à hora e colocados por empresas de trabalho temporário, ou médicos importados de Cuba, Uruguai etc. acham isto normal? desculpem mas eu não acho.

Comparem-se os benefícios dos vários grupos profissionais das USF em relação aos da mesma categoria profissional mas das UCSP, e basta comparar as remunerações, as diferenças são abissais e a pergunta que se coloca será que este aumento de custos justifica os resultados obtidos? não, as USF pouco mais fazem do que faziam anteriormente e todos sabemos que os números valem o que valem e que podem ser facilmente adaptados aos objectivos a que se destinam, basta ver a crise económica em que vivemos e que tem que ver como os números foram utilizados para se obterem os resultados que se queriam.

Esta reforma foi iniciada pelo que foi o pior ou dos piores ministros da saúde, que via em cada doente um potencial gastador de recursos do Serviço Nacional de Saúde. Para ele o grande problema do SNS eram os doentes. Como o SNS era feliz sem doentes, sem ninguém que consumisse medicamentos, realizasse exames... . Assim é fácil perceber porque é que se encerraram serviços sem haver alternativas, se não existirem, ninguém lá vai, logo não se têm gastos. Os Cuidados de Saúde Primários públicos estão a caminhar para a extinção. Os privados estão atentos. Mas a destruição não fica por aqui, ela continua.

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